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COMO SE PROTEGER DA POLUIÇÃO DO AR NAS GRANDES CIDADES

A primavera chegou! E com essa aguardada estação do ano chegando, a população volta a abrir suas janelas para permitir que sol e o ar puro da cidade entre em nossas casas, proporcionando um ambiente mais fresco e saudável. Mas, como assim, ar puro da cidade?

 

Vivemos em grandes cidades sabidamente com grande poluição do ar. Veículos e fábricas são alguns dos maiores poluidores do ar atmosférico. Segundo a Organização Mundial da Saúde- OMS, São Paulo está entre as 06 cidades mais poluídas do mundo1. 91% da população mundial vive em locais onde a poluição do ar ultrapassa os limites aceitos pela OMS2.

A maioria das edificações nas grandes cidades estão perto de grandes avenidas. Escolas, hospitais, edifícios comerciais e residências estão localizadas próximas a vias de grande circulação de veículos. A poluição do ar relacionada a veículos é uma mistura complexa de partículas e gases contaminantes.

 

Toda dona de casa sabe a quantidade de pó que acumula em cima de mesas, armários, prateleiras e demais superfícies em uma residência. Essas são partículas “grandes”, provenientes do ar da cidade que entram nos ambientes e depositam nas superfícies devido a seu peso.

 

E as partículas “leves e pequenas” que não caem? Essas ficam em suspensão, circulando dentro dos ambientes até serem respiradas pelo ser humano e pararem em nosso sistema respiratório. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 11% das mortes no mundo são devido a poluição do ar. Ainda, 36% das mortes por câncer de pulmão, 34% dos derrames e 27% das mortes por doenças cardíacas estão ligadas aos contaminantes no ar2.

 

Ou seja, aquele “pó” que deposita nos moveis dentro de casa são muito piores que o problema de limpar todo o dia. Causam milhões de mortes no mundo.

 

Dados laboratoriais, realizados de acordo com a Resolução 09 de 16/01/2003 da ANVISAS – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, mostram que no inverno o nível de fungos no ar nas cidades esteve por diversos períodos mais de 3 vezes acima do limite estabelecido3. Igualmente, dados do SUS – Sistema Único de Saúde, mostram que no Brasil, nos períodos de maio a agosto, temos o aumento de internações devido a doenças respiratórias4.

 

A pergunta que fica é: Como nos protegemos dentro de nossas casas ou edifícios dessa poluição do ar da cidade?  Vamos fechar todas as portas e janelas? Mas é sabido que manter um ambiente 100% fechado a qualidade do ar fica pior devido ao acumulo de contaminantes gerados internamente. Segundo a EPA – Agencia de Proteção Ambiental dos EUA a qualidade do ar interno pode ser de 2 a 5x pior que o ar externo5. O excesso de gás carbônico, de compostos químicos, vírus, fungos e bactérias, entre outros proporciona prejuízos a saúde dos ocupantes do local.

 

Então qual a solução? Se deixar a janela aberta entra poluição, se deixar ambiente todo fechado, teremos um ar “carregado e saturado”.

 

Sempre o ideal quando tratamos de poluição do ar é eliminar a fonte poluente. Um caso simples e emblemático é o tabaco. Melhor que criar “fumódromos” ou sistemas complexos de ventilação para eliminar os poluentes, é proibir o fumo em ambientes internos. Solução são mais simples, econômica e eficiente do ponto de vista da qualidade do ar.

 

Quando falamos de poluição do ar dos grandes centros urbanos programas de fiscalização de emissão de poluentes dos veículos e industrias são soluções mais indicadas.

 

Mas isso depende de esforços principalmente do poder público e de nossos governantes. Na falha deles em proteger nossa sociedade, e isso tem ocorrido com frequência ao longo dos anos, a população precisa de proteger dentro de suas casas, escolas, hospitais, shoppings e edifícios comerciais.

 

A maneira mais eficiente para se proteger da poluição do ar nas cidades é dispor de um sistema de climatização adequado. Em ambientes residenciais, atenção a limpeza dos filtros e equipamento regulamente. Para ambientes de uso público e coletivo o sistema de climatização deve ser projetado, o instalado e mantido por profissionais especializados.

 

O Brasil tem uma Lei Federal, 13.589/18, aprovada em janeiro desse ano que regulamenta a manutenção dos sistemas de climatização em ambientes de uso público e coletivo. O objetivo é proporcionar ambientes saudáveis a população.

Um sistema de climatização adequado proporciona aos usuários ambientes com conforto térmico e tratamento do ar, através de renovação de ar e purificação. Filtros de ar, ionização, foto catálise, entre outros, são elementos disponíveis no mercado que colaboram no controle de partículas e gases internamente. Em países desenvolvidos, é comum ver a comercialização de filtros de ar em prateleiras de supermercado. Isso mostra o nível de conhecimento da população sobre a importância da qualidade do ar interno.

 

No Brasil, a população de uma maneira geral consome ar condicionado pensando unicamente no conforto térmico. Ainda não foi alertada que pode ter uma qualidade do ar superior dentro de sua casa ou ambiente de trabalho, usando praticamente o mesmo equipamento e custo.

 

Na hora de comprar um aparelho de ar-condicionado, tão importante quanto a marca e características do equipamento, é quem será o profissional que irá instalar. Se é credenciado, se está legalmente habilitado, se fará a instalação dentro das boas práticas e normas técnicas brasileiras. Ele irá orientar sobre a importância de um sistema de renovação de ar para diluir contaminantes internos. Que esse ar novo que irá entrar deve ser tratado.

 

E como qualquer equipamento eletromecânico, um sistema de climatização necessita de manutenção periódica. Limpeza, troca de filtros, entre outros para o correto funcionamento. Essas rotinas de manutenção devem constar de um documento chamado PMOC – Plano de Manutenção, Operação e Controle. Isso irá garantir uma melhor qualidade do ar interno, com a diminuição do material particulado existente no ar, proveniente da poluição da cidade.

 

Portanto, além das vantagens do conforto térmico, sistemas de climatização protegem o ser humano da poluição do ar nos grandes centros urbanos. Um benefício ainda oculto para a sociedade brasileira. Por isso, podemos afirmar assertivamente que “ar condicionado é bom e faz bem”.

 

Por eng. Leonardo Cozac, ex-presidente do Qualindoor – Departamento de Qualidade do Ar Interno da ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração , Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento.

 

Referencias:

 

  1. Jornal Estado de São Paulo – 07/09/2016 - https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,sp-e-a-6-metropole-em-poluicao-do-ar-diz-oms,52615
  2. Organização Mundial da Saúde - http://www.who.int/airpollution/en/
  3. Dados estatísticos publicado pela Conforlab Engenharia Ambiental.
  4. Nexo Jornal – 04/05/18 - https://www.nexojornal.com.br/grafico/2017/06/26/As-interna%C3%A7%C3%B5es-por-doen%C3%A7as-respirat%C3%B3rias-no-Brasil
  5. United States Environmental Protection Agencyhttps://www.epa.gov/indoor-air-quality-iaq/introduction-indoor-air-quality
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