Falta de manutenção em aparelhos de ar condicionado traz graves riscos para saúde

Falta de cuidado com os equipamentos pode trazer problemas respiratórios

O aparelho de ar condicionado é visto, muitas vezes, como grande vilão, quando o assunto é doenças respiratórias. O tema ganha ainda mais importância com a chegada do outono, período no qual geralmente aumenta a incidência de doenças respiratórias. O alerta, porém, é que o sistema em si não é o culpado, e sim a falta de manutenção necessária para o perfeito funcionamento do equipamento.

 

- Não podemos, como profissionais que participam do setor, ficar indiferentes à falta de informação técnica que vigora hoje em dia em nosso país. Devemos sim, cooperar para que um maior número de pessoas, em nível técnico ou não, possam ter acesso a novas realidades, conceitos e avanços – explica o engenheiro mecânico Cesar Augusto Jardim De Santi, Diretor do Grupo Setorial Ar Condicionado da ASBRAV – Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação.

 

Segundo o especialista é fato comprovado que uma instalação de ar condicionado, como qualquer outra instalação mecânica, se não submetida a condições de manutenção periódica, irá apresentar problemas de ordem múltipla. O presidente da ASBRAV, Sergio Helfensteller, indica o cuidado na hora da instalação.

- As pessoas devem ter muito cuidado para prever todos os acessos para futura manutenção. Muitas vezes o equipamento é “sepultado” não dando oportunidade para uma completa manutenção periódica – explica Sérgio Helfensteller, presidente da ASBRAV.

A proliferação em dutos de microorganismos como bactérias, mofo, ácaros, germens saprófitos e outros, ocorre por uma série de fatores. Em alguns casos são resultado de problemas na instalação, ausência de um sistema adequado de filtragem ou falta de manutenção.

Fatores que originam a presença de microorganismos que fazem mal as saúde.

a) Teores de umidade relativa do ar nos dutos, superiores a 90% - a umidade é um poderoso meio de cultura;

b) Permanência no interior dos dutos, de detritos de obras civis e outros originários da própria montagem dos dutos –materiais altamente higroscópicos (retém  facilmente a umidade reinante no ambiente);

c) Ausência de um adequado sistema de filtragem de ar. Nesse caso, mantém-se uma porta permanentemente aberta, para que o ar exterior,e ou de retorno, possa carregar partículas sólidas tais como fuligem industrial, do escape de motores à combustão, da queima de resíduos sólidos, do pólen e resíduos diversos de plantas, germens circulantes na atmosfera e outros;

d) Falta de manutenção adequada (verificação do tempo de vida útil dos filtros através de manômetros diferenciais, limpeza das caixas de filtragem a cada troca de filtros, verificação de vazamentos na instalação e outros).

Iniciativas

Segundo trabalho publicado pela ASHRAE TECHNICAL DATA BULLETIN, se o fator umidade relativa do ar permanece baixo (abaixo de 90%), e se a temperatura também não for elevada (o que ocorre na maioria dos casos), os microorganismos não encontram meio de cultura e não se desenvolvem. A pesquisa chegou ainda a conclusão de que a presença de alta umidade do ar, é devido ao mau funcionamento do equipamento de ar condicionado, localização inadequada de umidificadores, respingos por arraste de ventiladores de Fancoils, má drenagem de sistemas e alta umidade relativa do ar não compensada por desumidificadores. Todos estes fatores podem ser contornados pelo projeto e pela manutenção consciente e profissional, de acordo com a nova norma NBR 16401, que norteia os projetos e obras.

Em muitos casos comuns de instalações de ar condicionado, o uso de filtro descartável, da classe G3 ou G4 (retém partículas de 5 micrometros e acima)  inibe, consideravelmente, o transporte destas partículas chamadas  “pesadas”, para dentro do sistema de dutos, já diminuindo a incidência de culturas, aliado ao aspecto “baixo teor de umidade e baixa temperatura”.

Para mudar esse cenário, ações já estão sendo efetivadas através de convênios, com parceiros da ASBRAV, como o CREA-RS, ABRAVA, ABEMEC (Associação Brasileira de Engenheiros Mecânicos), ANVISA MUNICIPAL, com a finalidade de divulgação da nova norma da ABNT – NBR 16401, a norma ABNT NBR 7256, e normas da ANVISA, conscientização e, posteriormente,  fiscalização.

Fonte para Entrevistas:

Eng. Mecânico Cesar Augusto Jardim De Santi

Diretor do Grupo Setorial de Ar Condicionado –  ASSOCIAÇÃO SUL BRASILEIRA DE REFRIGERAÇÃO, AR CONDICIONADO, AQUECIMENTO E VENTILAÇÃO

Última modificação em Domingo, 22 Março 2015 23:41

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