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TROX Academy: engenharia e eficiência energética PDF Imprimir E-mail

Novas instalações serão usadas para testes e ensaios no desenvolvimento de novos produtos, aprimoramento dos existentes, além de centro de treinamento — por Ronaldo Almeida

“Havia forte demanda por algo que diferencia a TROX, que são os apelos tecnológicos e de inovação. Nossa estrutura anterior de laboratório já não conseguia atender a esta demanda, obrigando-nos a usar frequentemente o laboratório da Alemanha. Poderí­amos ter nos limitado a uma sala para os ensaios, mas dada a importância e o lugar da TROX Brasil no Grupo veio a decisão de se fazer o laboratório e criar uma estrutura adicional: uma academia para oferecer treinamento, usando o laboratório para treinar projetistas, clientes finais e a própria equipe da empresa.” Quem afirma   é Marco Adolph, Supervisor de Laboratório da TROX Brasil, ao explicar as novas instalações da TROX Academy em funcionamento desde o início do ano em Curitiba, Paraná.

 

altA TROX Academy possui uma estrutura de sala de reuniões, sala de treinamento, sala de demonstração, show room e laboratório de testes. O show room, que fica na recepção do complexo, abrigará uma exposição de todos os produtos e tecnologias da empresa. Emblematicamente o sistema escolhido para sua climatização foi o de vigas frias. “A intenção é de se diferenciar usando uma tecnologia avançada numa cidade de alta umidade, como é Curitiba, numa instalação onde o controle é um pouco complicado, principalmente em dias chuvosos, por se tratar de um espaço de alta concentração de pessoas” explica Adolph.

Na sala de demonstrações, os visitantes poderão observar o impacto dos vários sistemas de difusão de ar no conforto dos ocupantes. Trata-se de uma sala mobiliada e equipada com manequins aquecidos a 45ºC. Nela estão instalados sistemas de vigas frias, difusores de alta indução, difusão pelo piso e displacement air flow (difusão por fluxo de deslocamento). Através das paredes envidraçadas pode-se observar a movimentação do ar nos diferentes sistemas e seu comportamento no contato com os usuários, representados no caso pelos manequins aquecidos de forma a simularem a temperatura corporal.

O laboratório se prestará a diversas aplicações. A começar pelos testes que poderão ser realizados nos produtos já existentes. “Diante de eventuais dúvidas de usuários ou projetistas, será possível realizar ensaios em escala real, simulando com precisão o funcionamento de cada produto”, explica Adolph. Atualização de dados de catálogos, acompanhando eventuais melhorias nos produtos, assim como os ensaios que demonstrem os ganhos obtidos com tais melhorias, serão realizados no laboratório. Também no desenvolvimento de novas tecnologias o laboratório terá papel fundamental, ao permitir não apenas os testes necessários mas por possibilitar os ensaios para o estabelecimento de parâmetros para os catálogos que serão utilizados por projetistas.

Engenharia e projeto

Do início do projeto à execução final foram dois anos de trabalho. Havia grande necessidade de automação e controle, tanto na difusão de ar quanto na hidráulica, para que a instalação atendesse aos seus objetivos básicos. “Todo o desenvolvimento dos controles e aquisição de dados foi realizado internamente, com software próprio e ajuda do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Alemanha. Trabalhamos com os mesmos sensores de temperatura, umidade e velocidade do ar usados no laboratório alemão. Os de velocidade do ar, por exemplo, são os fornecidos pela Dantec, de alta precisão, e são mandados uma vez por ano para calibração na Alemanha”, explica Adolph.

Com relação à hidráulica, foram aproveitados os chillers que atendem a parte de conforto do prédio do laboratório, com um tanque pulmão de onde é extraída a água gelada. Importante ressaltar que o prédio da academia está isolado da fábrica. O arranjo hidráulico permite o monitoramento das temperaturas de saída e entrada do fan coil, de entrada de ar nas salas, do ar circulante dentro das salas em diferentes pontos, contribuindo para a formação de um riquíssimo conjunto de dados para o estudo do comportamento dos vários sistemas de difusão do ar.

A hidráulica conta com um looping de controle bem mais refinado do que as instalações convencionais. Se o set point é estabelecido em 16ºC, a temperatura se mantém nesta marca ou, quando muito, vai a 16,05ºC, ao contrário de sistemas convencionais onde se tem uma variação de 2 a 3 graus no set point. “A precisão dos instrumentos que usamos no laboratório e na sala de demonstração é muito superior ao que é usada normalmente. Posso variar vazão de água, vazão de ar e carga elétrica, através do controle por inversores de potência, de acordo com o teste que vou fazer. Posso também mudar o regime de vazão de acordo com o teste a ser realizado. A máquina da sala de ensaios pode chegar a 10.000 m3/hora. Para uma sala de 4 x 9 metros e pé direito de 6 metros, esta é uma vazão muito alta. Assim, consigo trabalhar com vazões de 500 m3, usando sistema de by pass”, explica o supervisor de laboratório da TROX.

Todo o projeto foi desenvolvido no Brasil, com apoio da equipe alemã. “ Fizemos um rabisco inicial de como seria o prédio e o pessoal da Alemanha deu sua contribuição para que a instalação brasileira tivesse o mesmo padrão da matriz, particularmente no laboratório e sala de ensaios. Mas todo o projeto de ar condicionado para conforto foi feito no Brasil. Posso dizer que as instalações para ensaio que temos no Brasil e os resultados que obtemos aqui são os mesmos que obteríamos na Alemanha. Mantemos, assim, a integridade do Grupo. O laboratório pode trabalhar também em apoio ao laboratório da Alemanha e de outros países, quando eles estiverem com muita demanda”, afirma Adolph.

Eficiência energética

altInicialmente o projeto estava com 60 TRs de carga térmica. Intervenções no envelope e a adoção de componentes e equipamentos de alta eficiência reduziram-na para um máximo de 45 TRs. Na envoltória foram utilizadas paredes com painel de poliuretano e vidros duplos. Na parte interna, na área de testes, foi utilizado um sanduíiacute;che de dry wall, painel de poliuretano e isolamento com lã de vidro entre os painéis.

A cobertura é com telhas metálicas com injeção de poliuretano de 30 mm de espessura. Persianas foram providenciadas em toda a área para reduzir a insolação. O passo seguinte foi a adoção de chillers com sistema inverter, deixando a instalação composta de dois estágios de 15 TRs cada um, mais o primeiro estágio que vai de 0 a 15 TRs, possibilitando ao sistema trabalhar sempre com a demanda necessária, sem a necessidade de “ciclar” muito a CAG.

A difusão não poderia ser simples. Afinal, trata-se do cartão de visitas da instalação. Era preciso mostrar todos os produtos. Por isto as vigas frias numa área crítica como é o show room; difusores de alta indução com VAV nas salas; na área dos laboratórios, que tem pé direito mais alto, o uso de difusores para aplicação industrial, uma vez que não tem forro e era necessário garantir a mistura do volume de ar; na sala de demonstraçôes era preciso ter quatro sistemas de difusão completamente diferentes: vigas frias, difusor de alta indução, difusão pelo piso e displacement, com a dificuldade adicional da exigência de sair de um sistema para outro rapidamente.

A própria casa de máquinas tinha suas caracteríiacute;sticas particulares. Precisava ser ampla em um espaço pequeno. Nela, coexistem cinco unidades de tratamento do ar, a CAG, um tanque pressurizado com estrutura compacta e painéis de automação. Tudo isto acessíiacute;vel e que possa ser mostrado em funcionamento, pois será uma área de treinamento.

“O objetivo era reduzir o consumo de energia, por isto a adoção do VAV na sala de treinamento, onde existem quatro zonas de controle de temperatura moduladas por dampers que mantém tudo equilibrado. Era preciso mostrar aos meus clientes que existe tecnologia para reduzir o consumo de energia das instalações, sem prejuízo do conforto e do desempenho do sistema. Afinal, é sempre melhor vender tecnologia do que simplesmente volume”, finaliza Adolph.

Ficha Técnica

Projeto do laboratório: Marco Adolph, com consultoria de Paul Schwarz, Thomas Wolters e Lutz Preisigke, da P&D da TROX Alemanha;
Projeto de Ar Condicionado: Marco Adolph com apoio da Encomel
Instalação elétrica e de AC: Duccor Refrigeração
Chillers: Hitachi
Unidades de Tratamento do Ar, difusores, VAV e vigas frias: TROX Brasil
Dutos: Multivac/MPU
Automação: Microblau
Isolamento Térmico: Armacell
Válvulas de balanceamento e hidráulicas: TA Hydronics
Porta automática: Porta flexível da Rayflex
Telhas Termoacústicas: ANANDA
Vidro Duplo: VIDROLAR
ACM: DAY BRASIL
Sistema de DRY WALL: PAREMOD.

 
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